Era quarta-feira e, na aula de português foi a setora quem escolheu os pares para o trabalho.
-Meninos- disse a setora Marta.- Dado que no último trabalho a pares ninguém se decidiu quanto aos pares, desta vez decido eu.
Fiquei um pouco receoso. E tinha razão. A setora Marta pôs-me no grupo da Cecília. Protestei.
-Setora! Isto é injusto. Porque é que o Marco e o José ficaram no mesmo par e eu não fiquei com o Dinis?!
-Pedro. Eu usei um algoritmo aleatório- explicou a setora.- Mesmo assim eles calharam juntos.
Não tive escolha se não fazer o trabalho com a Cecília. Combinamos encontrar-nos a meio da tarde na casa da avó dela. Disse-lhe que os idosos necessitam de descanso, mas ela explicou-me que a sua avó tem 51 anos e por isso só estava em casa a partir das 18:00 horas para ver a novela da SIC.
Já eram 15:00 horas. Quando eu cheguei começamos a fazer o trabalho até lá para as 16:15. A essa hora bateram à porta e eu fui ver quem era.
Deixei-as entrar.
Elas pareciam bem vestidas demais para a ocasião, fosse a ocasião que fosse.
-Olá. Eu sou a Marta Pêssego- apresentou-se logo uma.
As outras foram atrás dela para fazer o mesmo.
-Eu sou a Penny- disse uma de vestido verde.- E tu? Como te chamas?
-Eu só o Pedro- respondi eu.
Nesse momento estava um pouco atrapalhado. Por sorte chegou a Cecília que desbloqueou conversa:
-Olá Marta. Olá Penny. Olá Bea.
Quem é a Bea?- perguntei eu confuso.
-Sou eu- respondeu uma menina com uma voz doce e suave.- Desculpa. Não me apresentei ao Pedro.
-Não faz mal- respondi.
-Vá. Venham lanchar. Comam uma fatia de bolo- ofereceu a Cecília.
Naquela mesa havia bolo de noz, pataniscas de bacalhau, queijo, pão, presunto, chouriço, sumo e bolachas.
Comemos até não puder mais. Depois da comida nos assentar o estômago as coisas começaram a aquecer. Foi tudo muito rápido. Começou quando elas saíram da mesa. Obviamente que fui à procura delas. Estavam no jardim. Quando me viram disseram:
-Oh, Pedro. Ainda bem que estás aqui. Anda connosco- pediu a Penny.
-Ir convosco a onde?- quis saber eu.
-Queremos-te mostrar uma coisa lá em cima- explicou a Cecília.
Eu estava curioso, por isso fui com elas. Subimos as escadas e à direita tinha uma parede vazia, sem qualquer móvel ou quadro. Elas deram as mãos e pude ver que tinham todas pulseiras iguais. Ao darem as mãos as pulseiras começaram a brilhar e os pés delas levantaram-se do chão, o que fez com que a parede se abrisse. Um mundo paralelo estava do outro lado da parede. Espreitei. Os meus olhos não acreditavam no que estavam a ver.

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