Eu estava curioso, por isso fui com elas. Subimos as escadas
e à direita tinha uma parede vazia, sem qualquer móvel ou quadro. Elas deram as
mãos e pude ver que tinham todas pulseiras iguais. Ao darem as mãos as
pulseiras começaram a brilhar e os pés delas levantaram-se do chão, o que fez
com que a parede se abrisse. Um mundo paralelo estava do outro lado da parede.
Espreitei. Os meus olhos não acreditavam no que estavam a ver. Esse “mundo
paralelo” estava escuro, de noite.
-É por isso que precisamos de ti- explicou a Penny.- Se não
nos ajudares este lugar vai desaparecer.
-Tal como nós, humanos, precisamos de comer para ter energia,
os seres da terra feliz precisam de sol para a ter- explicou a Cecília.- Sem
sol a terra feliz começa a apodrecer.
-Ela já está a corromper- concluiu a Marta.
-E o que é que um rapaz como eu pode fazer quando um planeta
cheio de criaturas fantásicas está em vias de extinção?
-Toma- e passaram para a minha mão um colar com um trovão.
-Usa isto e também tu poderás ter poderes- explicou a Penny.
-Aquele que tiver este colar na sua posse poderá, se provar
ser merecedor de tal, ter poderes mágicos.
-Comos os nossos- acrescentou a Bea.
-Assim é que é falar- e coloquei logo o colar ao pescoço. Não
senti nada, por enquanto.
-Por agora não te vai acontecer nada- disse a Marta.- Daqui a
algum tempo notarás as mudanças.
-E agora?- quis saber eu.- O que vamos fazer em relação à
terra feliz?
-Por agora não podemos fazer nada- concluiu a Cecília.- Temos
que esperar que comeces a ter poderes.
-Yeh- disse eu, que não cabia em mim de felicidade.- Assim é
que é. Quando eu fôr bué forte, cheio de poderes mágicos…
-Tens que esperar- acautelou a Penny.
E, enquanto esperávamos, fomos explorar a terra feliz. Vimos
todas as criaturas, desde morcegos albinos, unicórnios anões e até gatumanos.
Eu nem acreditava na beleza daquela terra até então oculta.
Já algumas horas tinham passado quando um gatumanos nos
convidou para jantar na sua casa. Aceitamos com todo o gosto, pois já se ouviam
os nossos estômagos a dar horas. A casa era acolhedora, cheia de pinturas
espalhadas pela casa.
-A minha mulher é artista- explicou ele.- A propósito. O meu
nome é Val.
-Que nome encantador- elogiou a Penny para ser simpática com
ele.
-O jantar está pronto- chamou a esposa dele.
-A minha mulher Tina fez lasanha. A melhor lasanha de toda a
terra feliz.
-Cheira deliciosamente- declarou a Marta a lamber os beiços.
No fim de comermos a senhora Tina preparou um café divinal.
-Muito obrigada pela refeição- agradeci eu para lhes agradar.
De repente tocam à campainha. Era uma rosa murcha e
assustada:
-SOCORRO!- pediu a rosa muito encarecidamente.- É o Diabo!
-Quando o sol não brilha aqui, na terra feliz, o Diabo
apodera-se de tudo- explicou a Cecília secamente.- Normalmente não fica cá mais
do que dois, três dias. Mas desta vez ele não parece quere ir-se embora.
-Ai se ele nos apodrece?!- gaguejou o Val quase a chorar. O
Val era um gatumano muito frágil, porém com um coração de ouro. Nem lhe
passaria pela cabeça ficar sob o domínio do Diabo.
-Não te preocupes- apaziguou logo a sua esposa.- A senhora
Tina é uma gatumana muito destemida e aventureira. Está sempre por perto quando
há confusões, razão pela qual ela e Val são apelidados de gatinhos mansos.
Todos na terra feliz simpatizam com este casal. Mas, claro que se sentiam
preocupados com o estado caótico em que a terra se encontrava.
Continuamos a conversar até tarde, quando nos demos conta de
que já era de manhã.
-Desculpem- pediu a Bea.- Temos de ir embora. Daqui a alguns
minutos temos aulas.
-Estão desculpados- disse a senhora Tina a sorrir um pouco
mais animada.
Sem comentários:
Enviar um comentário