Acede a todos os episódios da Rádio Carrocel

Ele & Elas2: A terra feliz é mesmo feliz(?)

Eu estava curioso, por isso fui com elas. Subimos as escadas e à direita tinha uma parede vazia, sem qualquer móvel ou quadro. Elas deram as mãos e pude ver que tinham todas pulseiras iguais. Ao darem as mãos as pulseiras começaram a brilhar e os pés delas levantaram-se do chão, o que fez com que a parede se abrisse. Um mundo paralelo estava do outro lado da parede. Espreitei. Os meus olhos não acreditavam no que estavam a ver. Esse “mundo paralelo” estava escuro, de noite.

-É por isso que precisamos de ti- explicou a Penny.- Se não nos ajudares este lugar vai desaparecer.

-Tal como nós, humanos, precisamos de comer para ter energia, os seres da terra feliz precisam de sol para a ter- explicou a Cecília.- Sem sol a terra feliz começa a apodrecer.

Casa de Campo Luna Monte (Portugal Melides) - Booking.com

-Ela já está a corromper- concluiu a Marta.

-E o que é que um rapaz como eu pode fazer quando um planeta cheio de criaturas fantásicas está em vias de extinção?

-Toma- e passaram para a minha mão um colar com um trovão.

-Usa isto e também tu poderás ter poderes- explicou a Penny.

-Aquele que tiver este colar na sua posse poderá, se provar ser merecedor de tal, ter poderes mágicos.

-Comos os nossos- acrescentou a Bea.

-Assim é que é falar- e coloquei logo o colar ao pescoço. Não senti nada, por enquanto.

-Por agora não te vai acontecer nada- disse a Marta.- Daqui a algum tempo notarás as mudanças.

-E agora?- quis saber eu.- O que vamos fazer em relação à terra feliz?

-Por agora não podemos fazer nada- concluiu a Cecília.- Temos que esperar que comeces a ter poderes.

-Yeh- disse eu, que não cabia em mim de felicidade.- Assim é que é. Quando eu fôr bué forte, cheio de poderes mágicos…

-Tens que esperar- acautelou a Penny.

E, enquanto esperávamos, fomos explorar a terra feliz. Vimos todas as criaturas, desde morcegos albinos, unicórnios anões e até gatumanos. Eu nem acreditava na beleza daquela terra até então oculta.

Já algumas horas tinham passado quando um gatumanos nos convidou para jantar na sua casa. Aceitamos com todo o gosto, pois já se ouviam os nossos estômagos a dar horas. A casa era acolhedora, cheia de pinturas espalhadas pela casa.

-A minha mulher é artista- explicou ele.- A propósito. O meu nome é Val.

-Que nome encantador- elogiou a Penny para ser simpática com ele.

-O jantar está pronto- chamou a esposa dele.

-A minha mulher Tina fez lasanha. A melhor lasanha de toda a terra feliz.

-Cheira deliciosamente- declarou a Marta a lamber os beiços.

No fim de comermos a senhora Tina preparou um café divinal.

Cima, branca, xícara café, jardim, em, manhã, tempo | Foto Premium

-Muito obrigada pela refeição- agradeci eu para lhes agradar.

De repente tocam à campainha. Era uma rosa murcha e assustada:

-SOCORRO!- pediu a rosa muito encarecidamente.- É o Diabo!

-Quando o sol não brilha aqui, na terra feliz, o Diabo apodera-se de tudo- explicou a Cecília secamente.- Normalmente não fica cá mais do que dois, três dias. Mas desta vez ele não parece quere ir-se embora.

-Ai se ele nos apodrece?!- gaguejou o Val quase a chorar. O Val era um gatumano muito frágil, porém com um coração de ouro. Nem lhe passaria pela cabeça ficar sob o domínio do Diabo.

-Não te preocupes- apaziguou logo a sua esposa.- A senhora Tina é uma gatumana muito destemida e aventureira. Está sempre por perto quando há confusões, razão pela qual ela e Val são apelidados de gatinhos mansos. Todos na terra feliz simpatizam com este casal. Mas, claro que se sentiam preocupados com o estado caótico em que a terra se encontrava.

Continuamos a conversar até tarde, quando nos demos conta de que já era de manhã.

-Desculpem- pediu a Bea.- Temos de ir embora. Daqui a alguns minutos temos aulas.

-Estão desculpados- disse a senhora Tina a sorrir um pouco mais animada.


Sem comentários:

Enviar um comentário