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Ele & Elas 3: mudança

 Continuamos a conversar até tarde, quando nos demos conta de que já era de manhã. 

-Desculpem- pediu a Bea.- Temos de ir embora. Daqui a alguns minutos temos aulas. 

-Estão desculpados- disse a senhora Tina a sorrir um pouco mais animada.

-Vamos- mandou a Marta. E todos fomos.

Quando cheguei a casa para trocar de roupa e fazer a mochila levei logo um ralhete da minha mãe:

-PEDRO!- resmuneou ela.- Que seja a última vez que sais à noite e não me avisas!

-Desculpa mãe- pedi eu.- Isto não se voltará a repetir.

-Acho bem!- avisou ela com aquela expressão de mãe desapontada.- Foi então que olhei para o relógio e reparei que só tinha 32 minutos para chegar à escola. E agora? Vesti-me a correr e fiz a mochila à pressa. Como tinha pouco tempo para chegar à escola decidi não apanhar o autocarro. Podia chegar em cima da hora. Peguei na minha bicicleta e decidi pedalar até à escola. Sentia-me livre porque podia ultrapassar os carros e esgueirar-me por caminhos mais estreitos pelos quais não circulavam veículos.Bicicletas de Estrada Scott - LisbonBike Shop

Cheguei à escola cinco minutos antes da hora  da aula e fiquei à conversa com o Dinis até sermos interrompidos pela Cecília e as suas (e minhas) amigas:

-Olá meninas- disse eu com um ar um pouco atrevido.- Chegaram rápido.

-Que conversa é essa?!- quis saber o Dinis meio confuso.

Fiquei um pouco atrapalhado, pois não lhe podíamos contar a verdade.

-Ah… Eu liguei-lhes antes de sair de casa e elas disseram que estavam atrasadas- menti eu. Mas o Dinis não pareceu acreditar.

-Tu ligaste-lhes? Às quatro?

-Sim.

-E vocês disseram todas que estavam atrasadas?

-Dissemos- assegurou a Bea e as outras acenaram que sim com a cabeça.

De repente a campainha tocou e a setora Sónia entrou na sala. Entrei e sentei-me na minha mesa, que é na fila da frente ao lado do Dinis.

Já a aula ía no seu auge quando me deu uma sensação estranha parecida com uma dor. Pensei que podiam ser os meus poderes, por isso pedi à setora para “ir apanhar ar”.

-Ah… Desculpe, setora.

-Sim, menino Pedro?

-Posso ir apanhar ar?- pedi eu a sentir-me cada vez pior. É que não me estou a sentir muito bem.

-Claro, Pedro- cedeu a professora Sónia.

Saí a correr o mais depressa que pude. Naquele momento só queria fugir, fugir. Claro que as raparigas repararam e vieram logo ter comigo. Ao verem que o trovão no meu peito brilhava cada vez mais (azul), a Marta exclamou:

-Devem ser os teus poderes!

-A sério?! E agora?- questionava eu, inquieto, confuso e também receoso.

-Tens que te acalmar- avisou a Penny.- Agora não podemos fazer nada. Temos aulas.

-Mais logo- agendou a Cecília.- Logo à tarde, quando formos para a casa da minha avó, vamos imediatamente para a terra feliz reconstruir a felicidade.

-Mas depois acabamos o nosso trabalho!- avisei-lhe então.- NÃO quero ter má nota a português!

E assim foi feito. Às 15:00 horas em ponto já tínhamos terminado o trabalho e estávamos  todos prontos para entrar na terra feliz. Eu estava parado a olhar para elas, à espera que tudo acontecesse. Foi aí que a Bea nos lembrou:

-Pedro- disse ela.- Agora que tu já tens poderes tens que nos ajudar a entrar na terra feliz.

-Como?- perguntei eu.

-Quando nós dermos as mãos tens que estar no meio do nosso círculo.- Assim aconteceu. Tanto as pulseiras como o meu colar brilhavam de magia. Já estamos lá.

-Oh não!- exclamei eu meio assustado. A terra feliz estava agora pior do que antes. O Diabo destruiu tudo. Era o caos! Tal como eu, as raparigas ficaram chocadas. A Bea deitou as mãos à cabeça. Eram horas de pôr mãos ao trabalho e começar a reavivar aquela pobre terra.

-Tens que começar por algo pequeno- dizia a Marta.- Toma. Beija esta flor. Se já tens os teus poderes serás capaz de regenerar esta pequena planta.

-Ele já tens poderes- afirmou a Cecília.

-E como é que tu sabes?- inquiriu-a logo a Penny.

-Sei que nos ajudou a abrir o portal até aqui- afirmou a Cecília com clareza.

-Bem visto- concordaram as duas.

-Claro que eu tenho poderes- afirmei.

Então prova-o- desafiou-me a Marta com o seu ar de convencida.- Obviamente que aceitei o desafio e beijei a flor murcha. «Não vai acontecer nada», pensei eu muito duvidoso. E, infelizmente, nada aconteceu.

-Mas como?!- espantei-me eu, estranhando a situação.

-Era suposto o Pedro ter poderes mágicos, não era, Cecília?- troçou logo a Penny.

-E tem- assegurou-lhe ela a corar de raiva.

-Ainda há uma coisa que podemos fazer- sugeriu a Marta.- Ou melhor dizendo, um alguém que nos poderá auxiliar.

-Mas quem?- perguntei-lhes.

-Não é bem uma pessoa- começou a Marta.

-Quer dizer, parece-se com um humano, um humano azul turquesa- continuou a Penny.

-Mas afinal de quem é que vocês falais com tanto alarido?- inquiri eu intrigado.

-De quem é nós falamos?- repetiu a Marta.- Da nossa “superior”.


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