Continuamos a conversar até tarde, quando nos demos conta de que já era de manhã.
-Desculpem- pediu a Bea.- Temos de ir embora. Daqui a alguns minutos temos aulas.
-Estão desculpados- disse a senhora Tina a sorrir um pouco mais animada.
-Vamos- mandou a Marta. E todos fomos.
Quando cheguei a casa para trocar de roupa e fazer a mochila levei logo um ralhete da minha mãe:
-PEDRO!- resmuneou ela.- Que seja a última vez que sais à noite e não me avisas!
-Desculpa mãe- pedi eu.- Isto não se voltará a repetir.
-Acho bem!- avisou ela com aquela expressão de mãe desapontada.- Foi então que olhei para o relógio e reparei que só tinha 32 minutos para chegar à escola. E agora? Vesti-me a correr e fiz a mochila à pressa. Como tinha pouco tempo para chegar à escola decidi não apanhar o autocarro. Podia chegar em cima da hora. Peguei na minha bicicleta e decidi pedalar até à escola. Sentia-me livre porque podia ultrapassar os carros e esgueirar-me por caminhos mais estreitos pelos quais não circulavam veículos.
Cheguei à escola cinco minutos antes da hora da aula e fiquei à conversa com o Dinis até sermos interrompidos pela Cecília e as suas (e minhas) amigas:
-Olá meninas- disse eu com um ar um pouco atrevido.- Chegaram rápido.
-Que conversa é essa?!- quis saber o Dinis meio confuso.
Fiquei um pouco atrapalhado, pois não lhe podíamos contar a verdade.
-Ah… Eu liguei-lhes antes de sair de casa e elas disseram que estavam atrasadas- menti eu. Mas o Dinis não pareceu acreditar.
-Tu ligaste-lhes? Às quatro?
-Sim.
-E vocês disseram todas que estavam atrasadas?
-Dissemos- assegurou a Bea e as outras acenaram que sim com a cabeça.
De repente a campainha tocou e a setora Sónia entrou na sala. Entrei e sentei-me na minha mesa, que é na fila da frente ao lado do Dinis.
Já a aula ía no seu auge quando me deu uma sensação estranha parecida com uma dor. Pensei que podiam ser os meus poderes, por isso pedi à setora para “ir apanhar ar”.
-Ah… Desculpe, setora.
-Sim, menino Pedro?
-Posso ir apanhar ar?- pedi eu a sentir-me cada vez pior. É que não me estou a sentir muito bem.
-Claro, Pedro- cedeu a professora Sónia.
Saí a correr o mais depressa que pude. Naquele momento só queria fugir, fugir. Claro que as raparigas repararam e vieram logo ter comigo. Ao verem que o trovão no meu peito brilhava cada vez mais (azul), a Marta exclamou:
-Devem ser os teus poderes!
-A sério?! E agora?- questionava eu, inquieto, confuso e também receoso.
-Tens que te acalmar- avisou a Penny.- Agora não podemos fazer nada. Temos aulas.
-Mais logo- agendou a Cecília.- Logo à tarde, quando formos para a casa da minha avó, vamos imediatamente para a terra feliz reconstruir a felicidade.
-Mas depois acabamos o nosso trabalho!- avisei-lhe então.- NÃO quero ter má nota a português!
E assim foi feito. Às 15:00 horas em ponto já tínhamos terminado o trabalho e estávamos todos prontos para entrar na terra feliz. Eu estava parado a olhar para elas, à espera que tudo acontecesse. Foi aí que a Bea nos lembrou:
-Pedro- disse ela.- Agora que tu já tens poderes tens que nos ajudar a entrar na terra feliz.
-Como?- perguntei eu.
-Quando nós dermos as mãos tens que estar no meio do nosso círculo.- Assim aconteceu. Tanto as pulseiras como o meu colar brilhavam de magia. Já estamos lá.
-Oh não!- exclamei eu meio assustado. A terra feliz estava agora pior do que antes. O Diabo destruiu tudo. Era o caos! Tal como eu, as raparigas ficaram chocadas. A Bea deitou as mãos à cabeça. Eram horas de pôr mãos ao trabalho e começar a reavivar aquela pobre terra.
-Tens que começar por algo pequeno- dizia a Marta.- Toma. Beija esta flor. Se já tens os teus poderes serás capaz de regenerar esta pequena planta.
-Ele já tens poderes- afirmou a Cecília.
-E como é que tu sabes?- inquiriu-a logo a Penny.
-Sei que nos ajudou a abrir o portal até aqui- afirmou a Cecília com clareza.
-Bem visto- concordaram as duas.
-Claro que eu tenho poderes- afirmei.
Então prova-o- desafiou-me a Marta com o seu ar de convencida.- Obviamente que aceitei o desafio e beijei a flor murcha. «Não vai acontecer nada», pensei eu muito duvidoso. E, infelizmente, nada aconteceu.
-Mas como?!- espantei-me eu, estranhando a situação.
-Era suposto o Pedro ter poderes mágicos, não era, Cecília?- troçou logo a Penny.
-E tem- assegurou-lhe ela a corar de raiva.
-Ainda há uma coisa que podemos fazer- sugeriu a Marta.- Ou melhor dizendo, um alguém que nos poderá auxiliar.
-Mas quem?- perguntei-lhes.
-Não é bem uma pessoa- começou a Marta.
-Quer dizer, parece-se com um humano, um humano azul turquesa- continuou a Penny.
-Mas afinal de quem é que vocês falais com tanto alarido?- inquiri eu intrigado.
-De quem é nós falamos?- repetiu a Marta.- Da nossa “superior”.
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